Janaína era a secretária do escritório da rua 08. Com seu Luíz XV e sua saia curtinha, passava pelas ruas com seu ar de superioridade. Nas horas vagas, Janaína resolvia palavras cruzadas que ganhava de brinde do jornaleiro. Tinha uma voz doce e uma mania de colocar palavras em inglês no seu vocabulário. Era uma espécie de inteligência com uma lesadez indesejada. Marcelo, seu namorado, amava esse jeitinho dela. Domingo, 28 de Junho de 2009
Janaína...
Janaína era a secretária do escritório da rua 08. Com seu Luíz XV e sua saia curtinha, passava pelas ruas com seu ar de superioridade. Nas horas vagas, Janaína resolvia palavras cruzadas que ganhava de brinde do jornaleiro. Tinha uma voz doce e uma mania de colocar palavras em inglês no seu vocabulário. Era uma espécie de inteligência com uma lesadez indesejada. Marcelo, seu namorado, amava esse jeitinho dela. Devaneado por Camilla 7 sonhadores comentaram
Arquivado em Meus contos
Quarta-feira, 17 de Junho de 2009
Eu fotógrafa! [2]
Devaneado por Camilla 11 sonhadores comentaram
Arquivado em Eu fotógrafa
Terça-feira, 9 de Junho de 2009
Clichês...

As crises de auto-afirmação. Oh, senhor! Tenha piedade deles e de nós que temos que nos deparar com isso ao nascer de cada novo dia!
Gente, se eu tivesse que apresentar uma tese de TCC hoje com esse texto, garanto que tiraria 10.
Precisam ensinar pra essa criatura qual é o significado da palavra original.
Ohhhh! Esse é o pior de todos. Como uma praga, alastra-se pelo orkut como a dengue em épocas de chuva.

As invasões mais que manjadas e chatas. Cheia dos famosos "Porques". E além de tudo, com um português de dar inveja!
Bom, isso é apenas uma pequena demonstração dos clichês que estou cansada de ver por aí. Alienação é algo tão sério, que qualquer nova moda orkuteira, faz sucesso instantaneamente. Não citei as fotos com o dedinho de paz e amor, fazendo careta (nada contra uma foto com careta, mas um álbum inteiro de fotos com careta, é pra espantar qualquer ser racional), as fotos de lingua pra fora (ide fotos com careta) e mais um monte de clichês que vocês também devem estar cansados de saber. Desculpa se algum leitor encaixa-se na minha crítica. Nada contra a pessoa em si. Muitos não tem culpa, apenas são engolidos pelo sistema.
Então, vamos cantar... "Ê, ooooo, vida de gado. Povo marcado, ê! Povo feliz!
Devaneado por Camilla 20 sonhadores comentaram
Arquivado em Críticas, Textos pessoais
Terça-feira, 2 de Junho de 2009
Quando...
Devaneado por Camilla 17 sonhadores comentaram
Arquivado em Poesias e poemas
Quarta-feira, 29 de Abril de 2009
Maria, irmã de João, filho de Deus.
Foram as três últimas palavras que ela pronunciou antes de fechar os olhos e cair num sono eterno. Seu rosto sofrido e com manchas de sol, deixava ainda perceber um leve semblante jovem. Parecia ter 45 ou 50, embora apenas 30 fossem seus por direito. As mãos cheiravam a sabão de barra, desses baratos comprados no mercadinho da esquina. Os cabelos tingidos na tentativa de trazer de volta as cores da infância estavam presos com a presilha ganhada da mãe no dia do casamento. Casou-se num dia de sol, no quintal da igrejinha da comunidade. Usava um vestido cedido pela vizinha, pois não tivera como comprar um próprio. Apesar de simples, fora uma linda noiva. Ainda tinha 13 anos e a doce inocência infantil. No ventre já trazia seu primeiro filho, que mais tarde recebeu o nome de João de Deus. Era de Deus para que tivesse sucesso na vida, foi o que ela pensou ao falar para o escrivão do cartório. “Coloca aí seu moço. Meu filho vai se chamar João de Deus”.
Aceitou sua sina pensando que aquele era o destino de qualquer garota. Casar e satisfazer seu companheiro. É, não parecia muito complicado! No início, a rotina era normal apesar de maçante. Acordava 5h da manhã para fazer a marmita do marido. Ao mesmo tempo balançava nos braços o filho que agora já tinha 1 mês de vida. 7h ia cuidar da casa. Lavava roupa, passava, limpava, cozinhava. Ao meio dia se encontrava exausta, e então, saía para fazer faxina. A mãe bem que queria ajudá-la com a criança, mas já estava muito debilitada e cansada. Saía com o menino nos braços, caindo de um dos lados. Seu corpo franzino de adolescente mal suportava o peso do garoto. 18h chegava em casa. Com dores nas pernas, já ouvia o marido gritar pela janta lá do quarto. João de Deus não parava de choramingar-lhe nos ouvidos um só minuto.
Essa foi sua rotina durante o primeiro mês de casamento. Já estava acostumada e pensou que seria assim para sempre, mas os acontecimentos foram mudando com o passar do tempo. Depois de três meses, ela já estava grávida de seu segundo filho. O casamento era apenas um fardo que ela tinha que sustentar todos os dias. Ainda não fazia muito sentido o motivo pelo qual tivera que casar. Só lembrava do dia que o amigo do padrasto foi buscá-la em casa antes mesmo do casamento. A mãe não se opôs a nada, ela pensou então que aquilo seria para seu próprio bem.
A segunda gravidez foi uma das piores. Sentia muitas dores e nenhum apoio. João de Deus já completava oito meses na metade da sua gestação. Quando tinha um ano e dois meses, presenciou o nascimento do seu primeiro irmão. Não tinha ninguém para olhar por ele, então a mãe o mandou para casa de uma amiga, onde ficou durante longos 150 dias, sem ao menos vê-lo. O marido tinha ficado cada vez mais ríspido e intolerável. Ela se sentia apenas um objeto dentro da própria casa. Pensava em voltar para junto da mãe, mas a presença do padrasto lhe dava arrepios. Tudo isso se passava. Ela tinha apenas 14 anos e dois filhos para criar.
A rotina se repetiu nos próximos 3 anos. Agora com 17, já tinha uma certa experiência de vida e também um filho a mais. No total de 3, eram eles que davam sentido a sua vida. A mãe faleceu, e agora ela estava totalmente sozinha.
Mas seu destino mudou completamente naquele fatídico dia. Ela pensava que não tinha nada capaz de piorar sua situação. Mas as mãos pesadas do marido em sua face a fizeram mudar de opinião. O ato foi o abre alas para uma nova realidade. Todos os dias apanhava e ainda tinha a tristeza de ver os olhos assustados dos filhos vendo-a naquela situação. O tempo passou... Agora ela possuía 30 anos e muitas marcas na alma e no corpo. João de Deus já havia saído de casa e sumido no mundo. Os dois outros filhos já sem saber o que fazer, também quase não paravam em casa.
Naquele dia, ela estava na cozinha preparando o almoço. Esperava seu quarto e último filho. O marido chegou pelas costas e a empurrou. Bateu a barriga contra o chão e perdeu os sentidos. No hospital, meio acordada, conseguiu nos seus últimos minutos de vida presenciar o nascimento de sua única filha, a qual iria se chamar Maria. Se ela tivesse tido tempo de falar ao marido o nome... Mas não deu, a urgência de dizer as três últimas palavras foi maior. Fechou os olhos e finalmente descansou.

Devaneado por Camilla 24 sonhadores comentaram
Arquivado em Meus contos







